Rômulo Rampini
Há algum tempo, falei sobre o famoso “voo de pato”, uma analogia que continua fazendo muito sentido quando observo como algumas empresas administram seu marketing. O pato anda, nada e voa, mas não se destaca em nenhuma dessas atividades. Faz um pouco de tudo, sem alcançar excelência em quase nada. No mundo empresarial, especialmente no marketing digital, essa comparação deveria provocar uma reflexão importante.
Ainda encontro empresários que esperam de um único profissional a capacidade de planejar estratégias, administrar anúncios, produzir vídeos, criar peças publicitárias, escrever conteúdos, configurar automações, organizar o CRM e, de preferência, resolver os problemas de vendas da empresa. Tudo isso, muitas vezes, com orçamento de uma única contratação.
O problema não está na disposição desse profissional em aprender e executar diferentes tarefas. Profissionais multidisciplinares são importantes. O equívoco está em acreditar que conhecer várias ferramentas significa dominar todas as competências necessárias para produzir resultados consistentes.
Um excelente gestor de tráfego pago precisa compreender plataformas, públicos, orçamento, indicadores, conversões e otimização de campanhas. Isso não faz dele um bom diretor de arte. Da mesma forma, um diretor de arte pode desenvolver uma comunicação visual extraordinária, mas não necessariamente possui experiência para estruturar uma estratégia de aquisição de clientes.
O profissional de audiovisual precisa dominar roteiro, captação, iluminação, edição e linguagem visual. O especialista em automação e CRM trabalha com jornadas, segmentações, integrações e relacionamento. Já o estrategista digital precisa compreender o negócio, identificar oportunidades, definir prioridades e conectar marketing e vendas aos objetivos comerciais da empresa.
São conhecimentos diferentes, que precisam funcionar de maneira integrada. E é justamente nesse ponto que muitas empresas começam a pagar o pato.
Contratam ferramentas sem processos, investem em anúncios sem organizar o atendimento, produzem conteúdo sem objetivos definidos e cobram resultados de profissionais que não possuem estrutura para entregar tudo aquilo que lhes foi atribuído.
Na prática, marketing profissional exige mais do que talento individual. Exige método, especialização, gestão e responsabilidade sobre cada etapa da operação.
É assim que organizamos nosso trabalho. Como estrategista digital, minha responsabilidade é compreender o cenário de cada empresa, avaliar seu nível de maturidade, identificar oportunidades, estabelecer prioridades e orientar a integração entre comunicação, tecnologia, marketing e vendas.
Ao meu lado, profissionais especializados assumem responsabilidades específicas. Temos gestão de tráfego com certificações Google e Meta, produção audiovisual, direção de arte, social media, análise de marketing, automação e plataformas como RD Station. Contamos também com consultoria comercial para estruturação de processos de vendas, implantação de CRM e acompanhamento de oportunidades.
Existe ainda uma competência frequentemente negligenciada: a gestão dos processos. Não adianta reunir excelentes profissionais se não houver planejamento, prazos, responsabilidades, comunicação e acompanhamento das entregas. Uma equipe de especialistas sem coordenação pode produzir tanto desperdício quanto um profissional tentando fazer tudo sozinho.
Outro aspecto importante é a maturidade do próprio empresário. Muitas empresas precisam primeiro organizar seus processos, compreender seus indicadores e desenvolver uma rotina comercial antes de exigir resultados mais sofisticados do marketing. Sem essa preparação, até as melhores ferramentas acabam subutilizadas.
Depois de mais de 15 anos atuando nesse mercado, aprendi que o resultado não depende apenas de quem executa melhor determinada tarefa, mas da capacidade de fazer diferentes especialidades trabalharem na mesma direção.
Isso não significa que toda empresa precise contratar uma grande agência ou manter uma equipe completa internamente. Significa reconhecer quais competências são necessárias, estabelecer prioridades e buscar profissionais preparados para assumir cada responsabilidade. A estrutura precisa ser proporcional ao negócio, mas a especialização não pode ser tratada como detalhe.
A inteligência artificial, por exemplo, já consegue acelerar a produção de conteúdos, apoiar análises, automatizar tarefas e aumentar a produtividade das equipes. Mas nenhuma ferramenta elimina a necessidade de experiência, pensamento estratégico e capacidade de decisão. Tecnologia potencializa competências; não substitui automaticamente o conhecimento de quem sabe utilizá-la.
O empresário precisa abandonar a ideia de que marketing é apenas uma sequência de tarefas operacionais. Publicar, anunciar, responder mensagens e produzir vídeos são partes de um processo muito maior, que começa no entendimento do negócio e precisa chegar aos resultados.
A pergunta, portanto, não é quantas atividades seu profissional ou sua agência consegue executar. É quantas dessas atividades são realizadas com competência, integração e capacidade de contribuir efetivamente para os objetivos da empresa.
Porque, quando o marketing tenta fazer tudo e não faz nada realmente bem, os resultados dificilmente aparecem. E a conta dessa falta de especialização acaba chegando para o empresário, seja em desperdício de investimento, oportunidades perdidas ou vendas que não aconteceram.
E aí, sua empresa vai continuar pagando o pato?
Rômulo Rampini – estrategista em marketing digital, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da 3TRÊS, uma das agências mais recomendadas em performance digital em Mato Grosso – @tr3scomvc




